sexta-feira, 18 de maio de 2018

Carta de amor sincera ao pânico

   O texto a seguir, foi escrito por meu amigo Luca Pedroso, em uma rede social, tendo ele me permitido divulgar de forma mais abrangente. Trata-se de uma conversa franca e aberta com a sua recorrente Síndrome do Pânico. O exercício do Ego, não deve ser apenas compreender de que forma  os complexos podem ser úteis para si, mas sim, de reconhecer a autonomia destes. É a abertura para um espaço democrático de diálogo sincero interno. Vamos ao texto:


"vamos falar sobre síndrome do pânico? vamos.... 
oi pânico tudo bem? Sim né? só me observando. Ontem eu estava bem, mas hoje você apareceu, e ninguém nunca entende, mas eu te entendo e sei que só quer se mostrar, mas te digo, não é legal te ter aqui, por mim você sumia da minha vida, mas não... Sempre tem que aparecer e eu tive que me acostumar. Sabia que muitas pessoas te chamam de frescura?? Sim, é pq não te conhecem hahah, mal sabem elas que você é intensa, que você vem e se mostra, e quando aparece consegue ser a coisa mais fodaaa.
Mas saiba que quem te conhece, não gosta de você... Sim, desculpa te falar, mas... você faz mal pra todos, não é legal andar com você, não é legal ter você, mas você não entende isso e sempre permanece ali, e temos que lidar com isso, mesmo quando pessoas ao meu redor não sabem lidar com a gente... Infelizmente é o que passamos quando você está ao nosso lado, mas saiba, que você nunca será maior que eu, nunca vai conseguir me dominar, eu sou mais forte e eu sei lidar comigo....

Com amor Luca."

   Um psicólogo não é um exorcista de demônios, não fará com que uma parte autônoma sua, que te incomoda, simplesmente suma. Qualquer tentativa de barrar uma manifestação autônoma da psique, seja ela de Pã (que dá origem à palavra pânico), ou qualquer outra, é temporária ou fracassada. Para que o processo seja eficaz, deve ser inverso. Assim sendo, devemos nós nos voltarmos ao fenômeno incômodo para tentar compreendê-lo, oferecendo vias não impostas, mas possíveis, à essa energia psíquica. Só é possível "superar" uma perda, um trauma, depois de aceitá-lo. Nesse sentido, o psicólogo serve como ponto de apoio para este encontro que, muitas vezes, pode ser ameaçador ou unilateral. E você, já se permitiu abraçar seu demônio hoje?

Renan M. Franklin
Psicólogo e Psicoterapeuta em Curitiba