segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Cinco dicas do Mindfulness para o recondicionamento de vias neuronais da felicidade

O cérebro humano, adaptativamente, desenvolveu uma tendência para reagir à estímulos, como barulhos e sombras, como algo ameaçador. É preferível se assustar com um coelho, do que não dar bola para os passos de um tigre. Esta tendência ainda influencia nosso funcionamento cerebral nos dias de hoje, e por isso, é mais fácil nos estressarmos, ou seja, produzirmos hormônios que nos preparem para lutar ou fujir, do que conseguirmos relaxar. As técnicas do Mindfulness propõe exercícios de reativação das vias neuronais do bem-estar, dando descanso para as estressoras. Este texto traz cinco dicas do Mindfulness para promover o bem-estar e a felicidade.

Relacionar-nos com compaixão é a primeira dica, e deve ser aplicada nas relações de namoro, de amizade, e especialmente na relação com nós mesmos.

Saborear é o segundo passo. Isso significa que os momentos presentes devem ser sentidos, com todos os sentidos, e com toda a intensidade intrínseca, que muitas vezes passa desapercebida. A busca incessante por grandes objetivos, esconde os prazeres cotidianos em tudo aquilo que experienciamos. Torne atitudes, como comer, tomar um café, encontrar amigos, em experiências (isso pode até mesmo ajudar na memória).

A gratidão é a terceira dica. É uma prática que deve ser constante, e para acostumarmos a praticá-la, podemos criar listas diárias ou semanais de coisas que aconteceram e que podemos agradecer. Mas também há um efeito de alívio imediato no corpo, quando paramos para pensar o que, neste exato momento, você pode ser grato. Que tal refletir agora mesmo?
Da mesma forma que é possível trazer a gratidão ao corpo, o contrário também é possível. Que tipo de sensação boa você está sentindo agora, ou que tipo de incômodo crônico não está lhe incomodando? Que tal focar, por ao menos 10 segundos, nessa sensação boa? Isso irá ajudar-lhe na sua listagem diária ou semanal.

Auto-apreciação. Esta é a quarta dica. Refere-se a apreciar qualidades em nós mesmos, ou coisas que fizemos bem. É basicamente "saborear" quem somos e termos "gratidão" pelas nossas qualidades.

Gentileza. É a capacidade de fazer o bem e trazer felicidade, aos outros e a si mesmo. É comum que ao estarmos frente à uma coisa que não gostamos, nosso cérebro ative automaticamente "vias negativas", ou seja, partes do cérebro que geram o sentimento de raiva. Isso faz com que gostemos cada vez menos deste estímulo.
Meditações que focam em coisas boas, podem aumentar os níveis de oxiticina em nossos cérebros, evitando assim a ativação automática da raiva, havendo espaço assim para aceitarmos aquilo que não gostamos no outro ou em nós, e promovermos gentileza genuína.

(Texto resumido por mim, com base no texto Rewiring the brain for happiness, disponibilizado no curso Mindfulness for wellbeing and peak performance, da Monash University)



Renan M. Franklin
Psicólogo e Psicoterapeuta em Curitiba