terça-feira, 25 de agosto de 2015

Bebida alcoólica nos estádios em Curitiba

Hoje, dia 25/08/15, foi aprovada na Câmara Municipal de Curitiba nesta primeira votação, a liberação de bebidas alcoólicas nos estádios da capital paranaense. A  proibição de venda deste tipo de produto nas arenas esportivas vigorava desde 2008. Amanhã deverá ser realizada nova votação, e caso aprovado novamente, o projeto será encaminhado para o prefeito, que dará o parecer final.

Votos favoráveis ao projeto: Beto Moraes (PSDB), Bruno Pessuti (PSC), Chico do Uberaba (PMN), Colpani (PSB), Cristiano Santos (PV), Dona Lourdes (PSB), Felipe Braga Cortes (PSDB), Helio Wirbiski (PPS), Jonny Stica (PT), Jorge Bernardi (PDT), Mauro Ignacio (PSB), Paulo Rink (PPS), Paulo Salamuni (PV), Pedro Paulo (PT), Piet Petruzziello (PTB), Sabino Picolo (DEM), Serginho do Posto (PSDB), Tico Kuzma (PROS) e Tito Zeglin (PDT).

Votos contrários ao projeto: Cacá Pereira (PSDC), Carla Pimentel (PSC), Chicarelli (PSDC), Dirceu Moreira (PSL), Geovane Fernandes (PTB), Mestre Pop (PSC), Noemia Rocha (PMDB), Professora Josete (PT), Rogério Campos (PSC), Tiago Gevert (PSC) e Zé Maria (SD).

Fonte: ESPN

É sempre difícil se tomar uma decisão pensando na sociedade como um todo, pois esta é composta por diversos tipos de contextos. Devemos evitar o contato de pessoas que possuem uma relação não saudável de consumo, com a bebida, ou garantir o direito de acesso a substância daqueles que utilizam a substância sem maiores prejuízos (para si e para os outros)? 

Esta pergunta, como qualquer outro questionamento, só faz sentido em uma sociedade onde ambas as realidades existem. Creio que a proibição só se faz útil quando métodos preventivos não vem ocorrendo de forma eficaz. Se este questionamento existe, é porque embora hajam esforços preventivos, eles ainda tem sido ineficazes para sanar comportamentos compulsivos, agressivos, entre outros que muitas vezes são realizados sob o efeito de drogas (incluindo o álcool).

A proibição causa a restrição do direito de muitos utilizarem a substância, mas não impede o uso antes das partidas, após as partidas, no entorno dos estádios daqueles que não entram para os jogos, ou mesmo dentro das arenas por aqueles que utilizam de meios para entrar com a bebida nos estádios. Mas ainda que não impeça, de fato dificulta o acesso destas pessoas ao uso.

Considerando que a maior parte das confusões entre torcedores não ocorre dentro dos estádios, mas sim fora, e que medidas preventivas são financeiramente mais baratas e mostram mais resultados que as proibitivas, devemos começar a nos preocupar menos com proibições, e mais com conscientização, inclusão sociocultural, educação e saúde dignas, possibilitando assim maiores possibilidades de que pessoas de times diferentes possam assistir a mesma partida sem confusões, sem barreiras, de forma sadia.

Quanto mais se separam as torcidas, mais fortalece-se a ideia de que elas são diferentes, embora não seja possível esperar uma mudança repentina nesta concepção de diferença que foi por tanto tempo estabelecida. Falta atualmente o reforço para uma ideia de identidade única dos torcedores, a de quem gosta do esporte em si, que torce para seu time mas é capaz de respeitar o outro. Falta uma visão mais ampla de que os títulos só se tornam valiosos quando se possui times opostos também valiosos, que o time busca melhorar quando possui um desafio à altura. Deve-se fortalecer a percepção de que o outro também faz parte de si, por compor o mesmo mundo que você.

Esta incapacidade não ocorre apenas no esporte, mas em todos os meios da sociedade, sendo o esporte apenas uma das formas de manifestação, que se torna evidente por conta da valorização que existe em cima da agressividade (considerando que esta é uma reação normal ao ser humano, se diferenciando da violência). O exemplo deve vir dos técnicos dirigentes e jogadores, com menos preocupações em impedir o jogo do outro time (como com faltas), e mais em jogar de forma exemplar, dentro e fora de campo.


Renan M. Franklin
Psicólogo e Psicoterapeuta em Curitiba