segunda-feira, 27 de abril de 2015

Publicidade contra a proibição de drogas no Rio de Janeiro


Esta imagem estaria sendo divulgada no Rio de Janeiro. Segundo o anúncio, reprimir as drogas mata mais pessoas do que o consumo, "Da proibição nasce o tráfico". Esta é uma resposta de certa forma esperada em uma cidade onde a política de enfrentamento e suas consequência sociais são famosas, principalmente pela sua exposição na mídia.

A política de enfrentamento não deve ser a principal forma de combate ao uso de drogas, pois gera consequências sociais graves, como mortes, discriminação, violência, revolta. Porém, a proibição não é quem gera o tráfico, de fato ela fortalece-o, porém caso a proibição não existisse o tráfico se tornaria "contrabando", assim como existe contrabando dos mais variados tipos de produtos legalizados, através de falsificações (que prejudicam a saúde), sonegação de impostos, entre outros. Acredito que afirmar que a liberação da droga acabaria com sua venda ilegal seja ingenuidade.

Então, qual seria a solução? Apontar uma solução para essa problemática é complicado, pois o uso de drogas é conhecido desde o início da humanidade, e seu comércio ilegal desde o início de seu controle (não só a proibição). Os que trabalham na área da saúde sabem que a liberação também acarretaria diversos problemas para a saúde dos usuários e para a sociedade.

Ainda assim, tenho certeza ao afirmar que o principal investimento deve ser na prevenção, ou seja, cultura, esporte, boas condições de estudo e trabalho, são estratégias capazes de diminuir o consumo abusivo de drogas. A proposta de guerra ás drogas é falido, não apresentando qualquer efetividade na extinção do uso sem ser acompanhado pela prevenção e ao tratamento.

A sociedade está cansada dessa forma de combate às drogas, que praticamente não muda nem evolui, muito por interesse de esquemas montados em ambos os lados, de recebimento de benefícios criados durante essa longa história de utilização desta abordagem como ferramenta contra o uso de drogas.

É preciso que a população participe ativamente das discussões abertas que ajudam na construção das políticas públicas sobre drogas, para que possam expor suas vivências tanto do conflito da guerra ás drogas, como dos problemas gerados pelo uso de drogas, para que possam auxiliar na construção de uma política de enfrentamento sem a necessidade desta guerra como ocorre hoje. Também poderão assim ampliar sua visão sobre a problemática, para que possam discutir de forma que estejam melhor embasados ao discutir sobre o tema com o restante da população. Também não podemos esquecer de nos informar e cobrar atitudes dos políticos sobre seu apoio á projetos que envolvem esta temática.


Renan M. Franklin
Psicólogo e Psicoterapeuta em Curitiba