sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Identificação das drogas sintéticas

 Alguns pais se preocupam quando encontram objetos que suspeitam ser drogas. Como é possível identificar essas substâncias?

 Na verdade, caso se trate de uma droga sintética, mesmo os usuários mais experientes deveriam se preocupar com essa questão, afinal, é um mercado ilegal onde não existe controle de qualidade, fiscalização, etc. Se drogas lícitas, como o cigarro, apresentam diversas substâncias danosas ao organismo  mesmo havendo certa fiscalização, ou mesmo produtos alimentícios apresentam vez ou outra alterações proibidas (não avaliando a intencionalidade de que haja ou não essa mistura), imagine em um mercado deste?

 Na maioria dos casos, o próprio usuário classifica sua substância de forma geral e inespecífica, pois uma análise precisa só é possível através de reagentes químicos ou análise de laboratório. Mesmo quando a substância esperada está presente naquilo que é consumido, na maioria dos casos está misturada com outras substâncias.

 Um exemplo desta desinformação é a associação errônea de que quanto mais azedo for o selo de LSD que o jovem utiliza, mais forte é o LSD nele presente. Esclareço aqui, que o LSD não possui sabor, odor, ou cor, se assemelhando nessas características à água. O selo de LSD é comumente descrito como azedo por possuir outras substâncias misturadas, que produzem essa caracterização da experiência do uso. Você, que já experimentou ou utiliza o selo e sentiu sabor azedo durante essa experiência, já se perguntou o que realmente pode ter ingerido?




As imagens ao lado estão presentes em conjuntos de selos de LSD (chamadas cartelas), que são destacados em unidades para o consumo. São papeis de alta absorção, que recebem  a substância em microgramas (µg), "a parte milionésima de um grama (1µg = 0.000001g)). Em contato com a saliva, a substância é dissolvida e absorvida pelo organismo. 20 microgramas já podem iniciar os efeitos. Utilizam imagens chamativas, infantis, religiosas ou coloridas como forma de propaganda.




 Os comprimidos são associados normalmente ao Ecstasy (MDMA), mas costumam corresponder a outros tipos de estimulantes proibidos e anfetaminas. Sedantes e o "boa noite Cinderela" também podem se apresentar nestes formatos. Novas substâncias, que não são consideradas proibidas, mas que são derivadas das drogas que já apresentam a proibição (feitas a cada semana em laboratórios através de pequenas mudanças na estrutura) costumam apresentar estas características físicas, e embora não sejam proibidas durante as primeiras semanas de distribuição, possuem riscos equivalentes para a saúde.


 Tanto no caso do selo, quanto do comprimido, são utilizados os desenhos e as cores para identificação. Esta forma de identificar o produto serve para os usuários e traficantes terem um referencial de efeitos provocados, havendo preferência entre os usuários entre alguns tipos/cores, pois de fato não são a mesma substância, ainda que apresentando as mesmas características e sendo adquiridas junto possam desencadear efeitos diferentes, pela falta de controle na produção, pelo interesse financeiro dos traficantes em misturar placebos ou remédios de farmácia, pelos aspectos subjetivos do usuário, ou mesmo pela instabilidade química da substância.



Renan M. Franklin

Psicólogo e Psicoterapeuta em Curitiba