quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Exercitar memória de curto prazo diminui contato de adolescentes com drogas

  "Adolescentes com forte memória de trabalho, ou seja, de curto prazo, têm mais probabilidades de prevenir o contato precoce com drogas, mesmo que tenham sido expostos a estas anteriormente. A conclusão é de um estudo feito por investigadores da Universidade de Oregon, nos Estados Unidos.

  A equipe, coordenada por Atika Khurana, avaliou quase 400 meninos e meninas de 11 a 13 anos em situação de risco. Eles foram acompanhados até ao final da adolescência.


  Estudos anteriores já indicaram que, quando jovens experimentam drogas muito cedo, o risco de se tornarem dependentes no futuro é muito alto. Apesar disso, há os que deixam de usar a substância conforme envelhecem. Para os cientistas, a memória de curto prazo pode ser um fator que colabora para isso.


  Para comprovar a tese, a equipe aplicou quatro diferentes testes de memória nas crianças e acompanhou a evolução dos participantes em relação ao uso de drogas. No fim, ficou claro que os jovens que apresentaram um bom desempenho nos testes foram os menos propensos a progredir no uso das substâncias.


  A explicação, segundo os cientistas, é que regiões pré-frontais do cérebro, ligadas à atenção e à memória de curto prazo, são capazes de exercer controle sobre o comportamento impulsivo e a busca por recompensa imediata.


  A descoberta aponta para novas abordagens para a prevenção do uso de drogas. O trabalho, publicado na revista Development and Psychopathology, sugere que um ambiente familiar com rotinas estruturadas e estimulação cognitiva pode fortalecer a memória de trabalho em crianças já a partir dos três anos. Para as mais velhas, a indicação é de atividade que estimulem a competência social e a resolução de problemas."


Fonte: OBID

  Devo tomar o cuidado, ao publicar tal notícia, de esclarecer que uma "memória de curto prazo" apontada como fator protetivo, não é uma caracterizada pela dificuldade de lembrar. Todos nós possuímos a "memória de curto prazo" que é aquela que utilizamos para lidar com as situações cotidianas, como por exemplo o valor de uma venda por um operador de caixa, o último movimento realizado por um jogador de xadrez, ou o número de um telefone para que seja discado uma única vez.


  Ou seja, a memória de curto prazo cuida de lembrarmos informações por um relativo período curto de tempo, até que esta informação deixe de ser necessária e se torne inconsciente. Ao mesmo tempo, também possuímos a "memória de longo prazo", aquela que quando de curto prazo é agregada a um valor especial ou à repetição, como por exemplo, o próprio nome, telefone, nome de familiares, entre outros.



Renan M. Franklin

Psicólogo e Psicoterapeuta em Curitiba