quarta-feira, 30 de julho de 2014

Informações impactantes funcionam como prevenção?

   Serial killer à solta: Segundo o Relatório Global de de Epidemia do Tabaco da Organização Mundial da Saúde de 2013, a utilização de produtos derivados do tabaco são a causa de 6 milhões de mortes por ano. Essa informação verídica pode assustar muitas pessoas, mas pode criar o efeito contrário em algumas populações.

   Muitos pais ao proibirem a utilização de drogas por seus filhos acabam pecando na forma que o fazem ao não estarem abertos para discutir o tema. Assim como as ilustrações no verso das caixas de cigarro que alertam sobre as consequências do uso do tabaco, informações como a do primeiro parágrafo podem não atingir alguns adolescentes que estão buscando testar seus limites, saber até onde  podem expandir suas restrições, além de provar para si e seus colegas que "embora seis milhões de pessoas tenham morrido, eu fumei esse cigarro e continuo vivo!", e é ai que mora o perigo.

   Fumar (com exceção de raros casos, onde pode agravar outro caso crônico de saúde já existente) não irá matar seu consumidor no primeiro contato, mas desde este momento, já inicia a produzir efeitos prejudiciais ao funcionamento global do organismo. Ao ver que aparentemente o cigarro não lhe trouxe prejuízo, o jovem acredita que toda a informação sobre o prejuízo real do mesmo é falsa, e então começa a utilizar mais frequentemente, podendo chegar ao ponto de instalar o vício. Podemos dizer que o cigarro cede algumas batalhas, para que você entre em seu campo, e então ele possa te atacar por trás sem você perceber. É comum ouvir frases como "Fulano fuma todo o dia e está bem", mas podemos não saber ao certo as complicações de saúde que a pessoa possui, e que em alguns casos, prefere inclusive negar para si próprio, pois admitir faria ter que decidir entre agravar os sintomas ou encerrar o uso.

   Por conta disto, a forma mais eficaz de prevenção é a conversa franca, onde os mitos podem ser confrontados com os dados empíricos, e a discussão possui via dupla. Isso ocorre também com as demais drogas, onde informações diretas entre causa e efeito do uso dessas substâncias, sem uma discussão adequada, podem passar a impressão de serem falsas, mesmo não sendo.

   Mesmo no caso em que seja instalada uma dependência, "a batalha" ainda não está perdida, os profissionais de saúde podem auxiliar na cessação do uso, e em alguns casos amenizar ou até reverter boa parte prejuízos sofridos na saúde e nas relações sociais.


Renan M. Franklin
Psicólogo e Psicoterapeuta em Curitiba