quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Os Jogos Oraculares e a Sincronicidade


Amanhã, a Archés estará realizando um Café com o tema Jogos Oraculares e a Sincronicidade. A proposta é de discutir sob o ponto de vista psicológico, como a experiência lúdica dos jogos de tabuleiros, podem servir em uma dimensão oracular, ou seja, como instrumento possível de ocorrência de sincronicidades e como técnicas projetivas. O enfoque teórico será dado sob a luz da Psicologia Analítica.
O evento será dividido em duas partes, a primeira focada no tema da Sincronicidade, sob coordenação de Katia Voigt (CRP 08/5715), e a segunda focada no Tabuleiro como oráculo, sob coordenação de Renan Marques Franklin (CRP 08/20070).

Espero que gostem do evento. Até lá!
Inscrições no local
Valor: R$20

Email: arches@arches.psc.br
Telefone: 3252 2421
Rua David Carneiro, 431, São Francisco, Curitiba.

terça-feira, 26 de setembro de 2017

Um breve resumo sobre a história da felicidade

   A origem da palavra felicidade, em diversas línguas, indica ser algo que foge do controle humano. Happiness, vem de happened, ou seja, aquilo que lhe acontece. A felicidade deriva da vontade dos deuses e das estrelas.

   A antiga cultura greco-romana coloca na mão do homem a possibilidade de felicidade. Mas este conceito não está ligado aos sentimentos, mas está ligado ao comportamento moral, geralmente demandando muito trabalho, disciplina e devoção.

   Na antiga concepção cristã, a verdadeira felicidade não está acessível no nosso mundo atual. Ela esteve disponível no Jardim do Eden, e estará disponível com o retorno de Cristo. Entre estes dois períodos, a única forma de acessar a felicidade é através da união com Deus, ou seja, a morte.

   Entre os anos de 1700 e 1800, a felicidade é tomada como uma verdade auto-revelada e um direito. O prazer é tido como um objetivo à ser trabalhado, enquanto o desprazer deveria ser minimizado. A felicidade é aqui assimilada à ideia de sentir-se bem.

   Apesar de dar ao homem a possibilidade de buscar o prazer, este movimento libertário do século 17 causou a impressão de que, se a felicidade é um direito, ela está fora do homem, e deve ser conquistada, buscada e consumida. A associação da felicidade com o prazer dá a impressão de que se não existe prazer constante e intenso, não há felicidade.

   Atualmente, o conceito de felicidade tem sido expandido. Tem-se encontrado relações entre a felicidade e esperança, gratidão, altruísmo, cultivo espiritual, e bem-estar. Isso coloca a felicidade de novo dentro do próprio humano, e assim, como um estado natural deste.

   Preocupar-se com sua própria felicidade, de forma individualista, torna-te menos feliz do que se preocupar com a felicidade daqueles ao seu redor.

(Texto resumido por mim, com base no texto "Happiness, The Hard Way", do curso "Introduction to the Science of Happiness" promovido pela University of California, Berkeley).

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

ANVISA reconhece Cannabis (maconha) como medicinal

A Resolução 156 do dia 5 de Maio de 2017, que pode ser acessada clicando aqui, publicada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) reconhece a Cannabis Sativa, uma das espécies de maconha, como planta medicinal.

(Imagem ilustrativa, de uma planta de maconha, retirada do site md.saúde)

Este artigo não possui por intuito questionar se isto está correto ou errado, mas levantar o debate do motivo da escolha desta espécie. Há três tipos de espécies:
"Existem três espécies de maconha, a mais comum é a Cannabis sativa, considerada a mais cultivada em todo o mundo, sendo também a mais sedativa; a Cannabis ruderalis, caracterizada como um arbusto curto que não possui ingredientes psicoativos e a Cannabis índica que apresenta um baixo teor de substância psicoativa. Acredita-se que as variedades modernas de Cannabis cultivadas para uso recreativo contêm dez vezes a concentração de tetrahidrocanabinóides (THC) comparadas às variedades selvagens" (PETRY, 2015).

Ao liberar uma planta, deve-se compreender a variedade de substâncias que ela possui, e seus efeitos no organismo.
"Tais plantas são conhecidas por produzir componentes químicos chamados de canabinoides, os quais produzem efeitos físicos e psicológicos quando consumidos por humanos. Existem mais de 85 tipos de canabinoides, que induzem diferentes efeitos quando consumidos, porém os mais mencionados são o Canabidiol (CBD) e o Delta9-TetraHidroCanabinol (THC)." (ROSA, 2016).

Enquanto a subespécie C. sativa possui mais THC e menos CBD, a subespécie C. indica possui menos THC e mais CBD (ROSA, 2016, p.16). E isso influencia nos efeitos do uso:
"Dentro dos modelos científicos de análise, o CBD está majoritariamente associado a efeitos sedativos, principalmente em relação a espasmos musculares, contudo inúmeras pesquisas, apesar de não terem atingido comprovação científica, apontam que o CBD também possa ser efetivo como antipsicótico e contra perda de memória no Mal de Alzheimer. O THC, por outro lado, é o principal princípio ativo psicotrópico da cannabis, e seus efeitos são ainda mais complexos de se compreender, uma vez que alteram também o estado de consciência de quem os ingere. Nos modelos biomédicos, já é comprovado que o THC é efetivo no tratamento de doenças como asma e glaucoma e também em relação à redução de náusea, vômitos e ao tratamento da perda de apetite, por seu efeito popularmente chamado de “larica”, significando fome" (ROSA, 2016, p.17).

O principal empecilho da liberação da maconha ocorre por conta de seu efeito psicoativo, causado pelo THC. Esse efeito é um atrativo para quem busca uma droga recreativa, mas também aumenta significativamente o risco de desencadear psicoses. Se a maconha possui efeitos medicinais já comprovados na espécie C. Indica, e um risco muito maior para danos psicológicos significativos na C. Sativa, quais os critérios utilizados para a escolha de qual das espécies liberar?

Embora a legislação com relação ao uso, cultivo e porte de maconha não mude por conta desta resolução, me preocupa a possibilidade de nos encaminharmos para uma liberação, onde o uso recreativo existe de forma mascarada como medicinal. Não entro no mérito neste texto de me colocar como favorável ou não ao uso recreativo, pois isso demanda outra discussão muito mais complexa. Mas, caso haja um movimento em prol de um uso recreativo, que o mesmo ocorra caracterizado como tal, pois implica situações e condições diferentes de um uso com fins de saúde. Caso o reconhecimento seja de fato para fins medicinais, que seja acompanhado das outras espécies da maconha.

Considerando ainda que, quando substâncias entram em atividade juntas, possuem efeito diferente do que a soma de seus efeitos isolados, há possibilidades medicinais mais eficazes do que pela liberação da C. sativa de forma isolada.
"Plantas indica, por estarem mais relacionadas com tratamento de espasmos musculares e tremores, são preferíveis para tratar doenças como esclerose múltipla, parkinson, dor crônica, artrite, reumatismo, insônia e ansiedade, enquanto plantas do gênero sativa são indicadas para tratar efeitos colaterais de tratamentos como quimioterapia ou de remédios para HIV/Aids, como também casos de perda de apetite e depressão. Devido a recentes testes de cruzamento feitos com variedades de plantas do gênero ruderalis (Cannabis ruderalis), existem agora variações genéticas que podem produzir mais CBD do que THC, com proporções de até 6% de THC e 7,5% de CBD, permitindo efeitos de maior relaxamento muscular e menor atividade psicoativa.
Hoje, a maior parte das variedades genéticas indicadas para uso medicinal são resultado de cruzamentos entre sativas e indicas, que resultam em combinações de efeitos mais complexos – ao adicionar genes de plantas sativa em plantas indica, obtêm-se efeitos de maior clareza de pensamento e menores efeitos sedativos; ao adicionar genes de plantas indica em plantas sativa reduzem-se efeitos de ansiedade que as últimas normalmente causam." (ROSA, 2016, p.35-36).

Por fim, considerando que esta resolução não traz alterações quanto à legislação vigente sobre a maconha, considero que o reconhecimento da ANVISA é positivo, pois facilita para que, futuramente, possamos desenvolver tratamentos e medicamentos com base em substâncias provindas maconha, sem os efeitos negativos do uso convencional.

sábado, 24 de junho de 2017

Semana previda, prevenção ao uso de drogas

 Do dia 26 ao dia 30 de Junho de 2017, acontecerá em Curitiba a semana Previda, com o tema "Refletindo sobre Drogas: O Legal é Prevenir". O cronograma completo pode ser acessado clicando aqui. A abertura do evento (no dia 26 às 9h) também poderá ser assistida ao vivo pela internet, clicando aqui.

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Cracolândia e o consumo do crack na visão de Márcio Américo

Márcio Américo, é um comediante que acompanho a algum tempo. Mas deixando a graça de lado, ele resolveu deixar seu relato muito valioso para as discussões que giram em torno da chamada "cracolândia", espaço no centro da cidade de São Paulo onde pessoas se reúnem para consumir o Crack.
O conteúdo do vídeo fala por si.

Para quem quiser ouvir um pouco mais sobre a experiência vivida por Márcio, ele posteriormente ofereceu uma entrevista para Rafinha Bastos.


Para quem não conhece esse local de perto, vale a pena ver os vídeos.

terça-feira, 25 de abril de 2017

Vídeo ilustrativo sobre abuso de drogas


  Encontrei este vídeo sobre o abuso de drogas, e achei interessante. É claro que em um vídeo curto é impossível abordar toda a complexidade, e este vídeo se resume á relação entre droga e sujeito, deixando de lado todo o contexto e subjetividade. Mas acho que mais importante do que criticar negativamente, é reconhecer boas iniciativas.

  Este vídeo mostra uma compreensão mais moderna sobre prevenção. Não apresenta a ideia clássica de que "DROGAS MATAM!", o que geralmente causa a ambivalência com "meu amigo usa e não morreu", "meu pai bebe e fica tão feliz", ou então "experimentei e foi gostoso", e consequentemente, de que "este cara não sabe o que está falando".

  A perspectiva apresentada é mais próxima da realidade, pois também mostra os prazeres que as substâncias podem causar, o alívio, mas que isto está associado à tolerância, ou seja, o cérebro se acostuma á adição desproporcional ao natural de neurotransmissores de prazer. Com isso, produz menos estes neurotransmissores, e assim, torna-se cada vez menos intenso o efeito da substância, assim como a sensação de prazer em acontecimentos rotineiros, em hábitos mais saudáveis. Em um prazo mais ou menos longo, de acordo com cada pessoa, cada tipo de substância, e a forma que utiliza, o sujeito entra em um ciclo de desprazer sem a substância, e busca por aquele prazer inicial, dificilmente encontrado novamente.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

O tratamento de drogas

Consideram-se como drogas, todas as substâncias que ao serem adicionadas em nosso corpo, causam alterações. Ou seja, são consideradas como drogas: as ilegais (maconha, cocaína, crack, etc.); o álcool; o tabaco; os medicamentos; anabolizantes; entre outras.

Em nossa sociedade, é muito difícil que alguém não utilize drogas, mesmo que de forma não prejudicial. Em alguns casos, alguns medicamentos, utilizados sob prescrição médica e de maneira adequada, podem melhorar nossa saúde. Em outros, o café utilizado moderadamente pode nos dar mais energia para o dia a dia. Mesmo estas substâncias, precisam ser utilizadas de maneira adequada, para não nos trazerem mais prejuízo do que benefícios. Cada vez mais, encontramos casos de pessoas que se prejudicam ao utilizarem  os mais diversos tipos de drogas.

O tratamento do uso de drogas é recomendado para diversos casos, como por exemplo: quando existe a dependência pela substância e a pessoa não consegue largar a droga apenas com esforços próprios; quando existe o abuso pela substância e a pessoa acaba trazendo diversas consequências prejudiciais quando utiliza a substância; ou mesmo quando existe o desejo de interromper o uso para que haja uma melhora na qualidade de vida.

Para cada tipo de relação que a pessoa possui estabelecida com a droga (dependência, abuso, uso), assim como para cada cliente, o tratamento requer adaptação metodológica, para que possa ser eficaz. Ainda assim, todas as formas de tratamento exigem um fator: o desejo e o comprometimento do cliente.

Os problemas que envolvem as drogas são complexos, não existindo uma só solução, que sozinha, possa vir a resolver estes problemas. É preciso que o cliente passe por um processo terapêutico complexo, que envolve a mudança no estilo de vida, da forma de pensar e agir, realização de escolhas, desenvolvimento de habilidades para lidar com os sentimentos, fortalecimento de laços sociais, entre outros procedimentos. O acompanhamento psicoterapêutico é essencial para que toda essa mudança ocorra de forma efetiva.