quinta-feira, 10 de agosto de 2017

ANVISA reconhece Cannabis (maconha) como medicinal

A Resolução 156 do dia 5 de Maio de 2017, que pode ser acessada clicando aqui, publicada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) reconhece a Cannabis Sativa, uma das espécies de maconha, como planta medicinal.

(Imagem ilustrativa, de uma planta de maconha, retirada do site md.saúde)

Este artigo não possui por intuito questionar se isto está correto ou errado, mas levantar o debate do motivo da escolha desta espécie. Há três tipos de espécies:
"Existem três espécies de maconha, a mais comum é a Cannabis sativa, considerada a mais cultivada em todo o mundo, sendo também a mais sedativa; a Cannabis ruderalis, caracterizada como um arbusto curto que não possui ingredientes psicoativos e a Cannabis índica que apresenta um baixo teor de substância psicoativa. Acredita-se que as variedades modernas de Cannabis cultivadas para uso recreativo contêm dez vezes a concentração de tetrahidrocanabinóides (THC) comparadas às variedades selvagens" (PETRY, 2015).

Ao liberar uma planta, deve-se compreender a variedade de substâncias que ela possui, e seus efeitos no organismo.
"Tais plantas são conhecidas por produzir componentes químicos chamados de canabinoides, os quais produzem efeitos físicos e psicológicos quando consumidos por humanos. Existem mais de 85 tipos de canabinoides, que induzem diferentes efeitos quando consumidos, porém os mais mencionados são o Canabidiol (CBD) e o Delta9-TetraHidroCanabinol (THC)." (ROSA, 2016).

Enquanto a subespécie C. sativa possui mais THC e menos CBD, a subespécie C. indica possui menos THC e mais CBD (ROSA, 2016, p.16). E isso influencia nos efeitos do uso:
"Dentro dos modelos científicos de análise, o CBD está majoritariamente associado a efeitos sedativos, principalmente em relação a espasmos musculares, contudo inúmeras pesquisas, apesar de não terem atingido comprovação científica, apontam que o CBD também possa ser efetivo como antipsicótico e contra perda de memória no Mal de Alzheimer. O THC, por outro lado, é o principal princípio ativo psicotrópico da cannabis, e seus efeitos são ainda mais complexos de se compreender, uma vez que alteram também o estado de consciência de quem os ingere. Nos modelos biomédicos, já é comprovado que o THC é efetivo no tratamento de doenças como asma e glaucoma e também em relação à redução de náusea, vômitos e ao tratamento da perda de apetite, por seu efeito popularmente chamado de “larica”, significando fome" (ROSA, 2016, p.17).

O principal empecilho da liberação da maconha ocorre por conta de seu efeito psicoativo, causado pelo THC. Esse efeito é um atrativo para quem busca uma droga recreativa, mas também aumenta significativamente o risco de desencadear psicoses. Se a maconha possui efeitos medicinais já comprovados na espécie C. Indica, e um risco muito maior para danos psicológicos significativos na C. Sativa, quais os critérios utilizados para a escolha de qual das espécies liberar?

Embora a legislação com relação ao uso, cultivo e porte de maconha não mude por conta desta resolução, me preocupa a possibilidade de nos encaminharmos para uma liberação, onde o uso recreativo existe de forma mascarada como medicinal. Não entro no mérito neste texto de me colocar como favorável ou não ao uso recreativo, pois isso demanda outra discussão muito mais complexa. Mas, caso haja um movimento em prol de um uso recreativo, que o mesmo ocorra caracterizado como tal, pois implica situações e condições diferentes de um uso com fins de saúde. Caso o reconhecimento seja de fato para fins medicinais, que seja acompanhado das outras espécies da maconha.

Considerando ainda que, quando substâncias entram em atividade juntas, possuem efeito diferente do que a soma de seus efeitos isolados, há possibilidades medicinais mais eficazes do que pela liberação da C. sativa de forma isolada.
"Plantas indica, por estarem mais relacionadas com tratamento de espasmos musculares e tremores, são preferíveis para tratar doenças como esclerose múltipla, parkinson, dor crônica, artrite, reumatismo, insônia e ansiedade, enquanto plantas do gênero sativa são indicadas para tratar efeitos colaterais de tratamentos como quimioterapia ou de remédios para HIV/Aids, como também casos de perda de apetite e depressão. Devido a recentes testes de cruzamento feitos com variedades de plantas do gênero ruderalis (Cannabis ruderalis), existem agora variações genéticas que podem produzir mais CBD do que THC, com proporções de até 6% de THC e 7,5% de CBD, permitindo efeitos de maior relaxamento muscular e menor atividade psicoativa.
Hoje, a maior parte das variedades genéticas indicadas para uso medicinal são resultado de cruzamentos entre sativas e indicas, que resultam em combinações de efeitos mais complexos – ao adicionar genes de plantas sativa em plantas indica, obtêm-se efeitos de maior clareza de pensamento e menores efeitos sedativos; ao adicionar genes de plantas indica em plantas sativa reduzem-se efeitos de ansiedade que as últimas normalmente causam." (ROSA, 2016, p.35-36).

Por fim, considerando que ainda rege a restrição ao uso da maconha, considero que o reconhecimento da ANVISA é positivo, pois facilita para que, futuramente, possamos desenvolver tratamentos e medicamentos com base na maconha, sem os efeitos negativos do uso convencional.

sábado, 24 de junho de 2017

Semana previda, prevenção ao uso de drogas

 Do dia 26 ao dia 30 de Junho de 2017, acontecerá em Curitiba a semana Previda, com o tema "Refletindo sobre Drogas: O Legal é Prevenir". O cronograma completo pode ser acessado clicando aqui. A abertura do evento (no dia 26 às 9h) também poderá ser assistida ao vivo pela internet, clicando aqui.

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Cracolândia e o consumo do crack na visão de Márcio Américo

Márcio Américo, é um comediante que acompanho a algum tempo. Mas deixando a graça de lado, ele resolveu deixar seu relato muito valioso para as discussões que giram em torno da chamada "cracolândia", espaço no centro da cidade de São Paulo onde pessoas se reúnem para consumir o Crack.
O conteúdo do vídeo fala por si.

Para quem quiser ouvir um pouco mais sobre a experiência vivida por Márcio, ele posteriormente ofereceu uma entrevista para Rafinha Bastos.


Para quem não conhece esse local de perto, vale a pena ver os vídeos.

terça-feira, 25 de abril de 2017

Vídeo ilustrativo sobre abuso de drogas


  Encontrei este vídeo sobre o abuso de drogas, e achei interessante. É claro que em um vídeo curto é impossível abordar toda a complexidade, e este vídeo se resume á relação entre droga e sujeito, deixando de lado todo o contexto e subjetividade. Mas acho que mais importante do que criticar negativamente, é reconhecer boas iniciativas.

  Este vídeo mostra uma compreensão mais moderna sobre prevenção. Não apresenta a ideia clássica de que "DROGAS MATAM!", o que geralmente causa a ambivalência com "meu amigo usa e não morreu", "meu pai bebe e fica tão feliz", ou então "experimentei e foi gostoso", e consequentemente, de que "este cara não sabe o que está falando".

  A perspectiva apresentada é mais próxima da realidade, pois também mostra os prazeres que as substâncias podem causar, o alívio, mas que isto está associado á tolerância, ou seja, o cérebro se acostuma á adição desproporcional ao natural de neurotransmissores de prazer. Com isso, produz menos estes neurotransmissores, e assim, torna-se cada vez menos intenso o efeito da substância, assim como a sensação de prazer em acontecimentos rotineiros, em hábitos mais saudáveis. Em um prazo mais ou menos longo, de acordo com cada pessoa, cada tipo de substância, e a forma que utiliza, o sujeito entra em um ciclo de desprazer sem a substância, e busca por aquele prazer inicial, dificilmente encontrado novamente.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

O tratamento de drogas

Consideram-se como drogas, todas as substâncias que ao serem adicionadas em nosso corpo, causam alterações. Ou seja, são consideradas como drogas: as ilegais (maconha, cocaína, crack, etc.); o álcool; o tabaco; os medicamentos; anabolizantes; entre outras.

Em nossa sociedade, é muito difícil que alguém não utilize drogas, mesmo que de forma não prejudicial. Em alguns casos, alguns medicamentos, utilizados sob prescrição médica e de maneira adequada, podem melhorar nossa saúde. Em outros, o café utilizado moderadamente pode nos dar mais energia para o dia a dia. Mesmo estas substâncias, precisam ser utilizadas de maneira adequada, para não nos trazerem mais prejuízo do que benefícios. Cada vez mais, encontramos casos de pessoas que se prejudicam ao utilizarem  os mais diversos tipos de drogas.

O tratamento do uso de drogas é recomendado para diversos casos, como por exemplo: quando existe a dependência pela substância e a pessoa não consegue largar a droga apenas com esforços próprios; quando existe o abuso pela substância e a pessoa acaba trazendo diversas consequências prejudiciais quando utiliza a substância; ou mesmo quando existe o desejo de interromper o uso para que haja uma melhora na qualidade de vida.

Para cada tipo de relação que a pessoa possui estabelecida com a droga (dependência, abuso, uso), assim como para cada cliente, o tratamento requer adaptação para que possa ser eficaz. Ainda assim, todas as formas de tratamento exigem um fator: o desejo e o comprometimento do cliente.

Os problemas que envolvem as drogas são complexos, não existindo uma só solução, que sozinha, possa vir a resolver estes problemas. É preciso que o cliente passe por um processo terapêutico complexo, que envolve a mudança no estilo de vida, da forma de pensar e agir, realização de escolhas, desenvolvimento de habilidades para lidar com os sentimentos, fortalecimento de laços sociais, entre outros procedimentos. O acompanhamento psicoterapêutico é essencial para que toda essa mudança ocorra de forma efetiva.

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Atividades físicas diminuem riscos de doenças mentais

Muitas pessoas conhecem a importância da inclusão de atividades físicas na rotina, contribuindo com isso para o bem-estar físico, prevenindo doenças, e conseguindo formas físicas desejadas por algumas pessoas. O que não é tão conhecido é a importância destas atividades para o bem-estar psicológico e social.

Pesquisa¹ aponta que as atividades físicas possuem indicação tanto preventiva quanto terapêutica para diversos casos, por ter propriedades que diminuem a ansiedade, a depressão e a raiva. Estas propriedades ocorrem por múltiplas influências, sendo uma delas a atuação da endorfina, neurotransmissor que é produzido durante a atividade física de média e longa duração. A endorfina ativa partes do cérebro, produzindo alívio de dores e animação, além de produzir a sensação de descanso para o cérebro.

A mesma pesquisa indica que o estresse pode ser causado por vários fatores: alguns ambientais como o calor, barulho e multidões, e outros emocionais como mortes, aumento de responsabilidades, doenças e mudanças no estilo de vida. Com estes níveis de estresse altos, a pessoa pode apresentar ansiedade, irritabilidade, lesões, dores pelo corpo, tensões musculares, excesso de acidez no estômago, flatulência, diarreia, irritação intestinal, suor nas mãos, aumento da pressão sanguínea, arritmia, tontura, falta de ar, infarto, entre outras muitas ocorrências.

É importante destacar que os benefícios da atividade física podem ser percebidos por atividades regulares, de intensidade moderada. A sua prática compulsiva ou em grandes intensidades pode causar lesões ou prejudicar outros aspectos da vida. A dica é viver em equilíbrio!

Depressão e o lidar com as emoções

 A depressão é chamada de "mal do século", sendo estatisticamente a doença atualmente mais incapacitante, prejudicando aqueles que a possuem em nível emocional, produtivo/econômico, em suas relações interpessoais, e outros aspectos. Mas por que essa doença tem se tornado cada vez mais frequente? Arrisco dizer que o movimento depressivo se torna necessário para algumas pessoas, e para a sociedade.

 Existem fatores genéticos no desenvolvimento da depressão, que não devem ser descartados, mas também o modo em que costumamos pensar vai modulando a bioquímica de nosso cérebro. O estilo de vida ocidental visa a produtividade, "tempo é dinheiro". Ficar centrado em si, perceber e viver seus sentimentos e emoções são tidos como perda de tempo. As tristezas não são superadas, elas apenas não são alvo de atenção, e por isso continuam existindo. As felicidades devem ser aproveitadas em curtos períodos de tempo, onde a seriedade deve logo tomar o controle. Somos estimulados a agir mais pela razão que pela emoção. Não demonstrar emoções se torna sinônimo de produtividade.

 A depressão nada mais é do que um sintoma, da inexistência contínua do permitir-se pequenas felicidades durante o dia. Permitir-se parar para ter uma boa conversa; saber como foi o dia das pessoas que você gosta; comer seu doce preferido, que lembra sua infância, mesmo que isso lhe custe algumas calorias a mais; correr no parque; brincar um pouco com seu cachorro. Esses momentos de prazer, que não exigem grandes investimentos financeiros, não são aproveitados por todos.
 Com isso, o voltar-se para seus próprios sentimentos é considerado algo tão ruim, que perdemos a capacidade de lidar com eles. Eles precisam se manifestar de forma tão brutal, exigindo nossa atenção, que algo natural de fato começa a se apresentar de forma patológica.

 O depressivo sofre muito com esta doença, suga todas suas energias, dificultando até mesmo um primeiro passo em busca de um reequilíbrio psicológico e emocional. Aos poucos, lidando com um sentimento de cada vez, é possível retomar um rumo de felicidade e equilíbrio. Aceitar seus sentimentos e lidar com eles é um caminho difícil, mas possível e recompensador.