sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Janeiro: o mês de Jano na mitologia

   Iniciamos nosso ano de 2018! Gostaria de desejar um ótimo ano para todos os leitores, amigos, colegas, clientes e mestres. Que seja de muitas realizações e desenvolvimentos.
   Aproveitando que nesta semana, tivemos a aula sobre os Senhores do Tempo, no curso de Mitologia Reimaginada, inicio as publicações deste ano, com um pouco sobre a Mitologia Grega, que possui um deus dos portões, referente ao tempo das transformações e das passagens. É o deus Jano.
   Após ter acolhido o titã Cronos em sua terra, o rei Jano recebeu como agradecimento, a capacidade de ver o passado e o futuro ao mesmo tempo. Por isso, é representado por duas faces (quando não por quatro), cada uma voltada para um lado, indicando ver para frente e para trás (futuro e passado).
   Geralmente as faces são de um jovem e um idoso. Podemos pensar facilmente o jovem como representante do passado e o idoso como do futuro, tempo em que estariam. Mas o contrário também pode ser válido, visto que o jovem é aquele que ainda tem muito o que viver pela frente (futuro), enquanto o idoso traz sua história (passado).
   Possuindo 12 templos para sua contemplação ao redor de Roma, que representavam os 12 meses do ano, e algumas vezes sua estátua apontando com a mão direita ao número CCC (300), e LXV (65) com a mão esquerda, representando os 365 dias do ano, Jano é um dos Deus do tempo, muito embora não seja reconhecido como tal.
   Quando o imperador romano Julio Cesar decretou a data do Réveillon, ou seja, a passagem de um ano para outro, definiu que seria na entrada do mês de Janeiro, que possui esse nome em homenagem à Jano. Desde então vem a tradição de: "Ano novo, vida nova".
   Muitos acreditam que, na passagem de um ano para outro, quando muitos ciclos de nossa vida se encerram, e se iniciam outros, temos nossas oportunidades renovadas. E de fato, isso ocorre até certo ponto. Porém, ainda assim, cabe a nós aproveitá-las, pois de nada adianta elas surgirem novamente, se não estamos capacitados para percebê-las e fazer com que se transformem de fato em realizações.

Renan M. Franklin
Psicólogo e Psicoterapeuta em Curitiba

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Curso de mitologia reimaginada na abordagem da Psicologia Junguiana e Arquetípica


Hoje começou, na Centro de Estudos Archés, em Curitiba, o Curso de Férias de Mitologia Reimaginada. A proposta é de discutir alguns aspectos da Mitologia, e como refletem no cotidiano e na prática clínica, pela perspectiva da Psicologia Junguiana (Analítica ou Complexa), com ênfase Arquetípica (Hillmaniana).

O evento acontece dos dias 8 à 11 de Janeiro de 2018, das 9:30 às 11:30.

Na quarta-feira, apresentarei sobre os Senhores do Tempo na Mitologia, e sua influência arquetípica na vivência diária, na psicopatologia, e na clínica psicológica.

Renan M. Franklin
Psicólogo e Psicoterapeuta em Curitiba

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Relato de experiência pessoal: abstinência de álcool

   Este texto é um relato de uma experiência pessoal. Estamos em Dezembro, e estou completando um ano desde que resolvi experimentar a abstinência do álcool e de refrigerante. Sei que minha experiência pessoal não pode ser generalizada, mas acredito que contar como está sendo esta vivência poderá ajudar algumas pessoas, sejam elas dependentes do álcool interessados em parar de beber, assim como pessoas com consumo moderado, que possam refletir sobre seu consumo.

   Inicialmente, destaco minha história pregressa com o álcool. Meu uso no ano passado era moderado, consistia em aproximadamente cinco vezes por mês, e por isso, não apresentava sinais de dependência, assim como geralmente não causava aparentes prejuízos, não caracterizando consumo de abuso. O consumo eventual de álcool vinha de cerca de dez anos, o que me colocava em uma situação de acostumar-se com o ato de beber, tratando-o como comum.

   Não houve um grande fator determinante para minha decisão, mas sim, alguns fatores que influenciavam. Entre eles:
-Trabalhar auxiliando dependentes a diminuir ou cessar o consumo. Muito embora meu consumo já fosse moderado, o que me coloca em uma vivência desproporcional às dificuldades dos dependentes, acreditei ser vantajoso realizar essa tentativa.
-Buscar qualidade de vida, tanto para o dia-a-dia, quanto na melhora do desempenho esportivo.
-Financeiramente, consumir álcool é muito mais caro do que opções muito mais saudáveis, e por vezes saborosas.
-Ter liberdade para dirigir.

   Com relação às percepções sociais, imaginei que sofreria uma maior pressão para que bebesse. Foram alguns casos isolados de pessoas que tentaram insistir para meu consumo, ou que fizeram brincadeiras sobre eu ter parado de consumir.
   Acredito que esse respeito se deva também, em parte, à forma em que me mostrei decidido, ao afirmar que "não estou bebendo" ao invés de "não sei", "acho que não", ou "estou tentando evitar".
   Além disso, logo no início, algumas pessoas do meu ciclo de convívio também decidiram parar de consumir, o que me surpreendeu positivamente. Embora nenhum deles tenha se mantido abstinente até o fim do ano, percebi uma real redução de consumo, proveniente de um consumo mais consciente, por parte deles.

   Embora muitas vezes seja recomendado não frequentar lugares onde as pessoas consomem muita bebida para quem está querendo parar, mantive-me frequentando estes ambientes, consumindo suco, água, ou tereré. Isso foi benéfico em meu caso, pois minha vida sem álcool não se tornou menos interessante ou mais tediosa. O álcool não se toronou um sinônimo de diversão, ou de sair com os amigos. Pelo contrário, minha experiência sóbrio mostrou-se mais intensa em relação à sentir-me presente e consciente do que estava acontecendo.

   Outra coisa interessante, foi buscar alternativas de convites. O convite aos amigos de antes, que era "vamos tomar uma cerveja" tornou-se relembrar jogos do colégio, como jogar caçador (queimada) em praças,  ou então subir montanhas, corridas de rua, e até jogos de tabuleiros. Meu interesse por estes demais tipos de atividades, aumentou muito, por serem instrumentos de diversão e socialização, papel esse muitas vezes assumido pela bebida.

   Profissionalmente, percebi que, ao dar pequenos detalhes sobre minha experiência aos clientes, estimulando que eles pensem de que forma isso poderia estar relacionado com a situação ou dificuldade deles, tive uma aceitação e compreensão facilitada.

   É curioso perceber como as pessoas sempre perguntam o motivo de você não beber, mas não se perguntam o motivo delas beberem. Já imaginou, em um bar, perguntar para alguém que você acabou de conhecer, o motivo dela beber? Esta pergunta causa estranheza, pois beber é o padrão comum, como há pouco tempo atrás também era o fumar. A resposta resume-se geralmente à um "porque eu gosto", fator esse indiscutível.

   Sem dúvidas, em nível de saúde também obtive vantagens em capacidade de recuperação pós exercícios, assim como na diminuição do número de resfriados.

   No dia-a-dia, e até mesmo em horários de lazer, pouco senti vontade de beber. Ainda assim, é curioso que, quando surge, a vontade vem pelo ato, mas ao lembrar de como me sentiria sob o efeito, imediatamente a repulsa substituía a vontade. Aparentemente, em nível simbólico e vivencial, consumo e efeitos posteriores não estão associados por mim.
   Percebi também, que o pensar em beber surgia como pensamento automático, e não como desejo, associado à festividades e comemorações. O beber está associado à alegria de comemorar, como se a fonte da alegria fosse o álcool, e que seu consumo fosse desculpabilizado pelos motivos da comemoração, e não que a felicidade está no próprio acontecido que estamos comemorando.

   A proposta inicial não era uma abstinência eterna, e creio que também continuará não sendo. A ideia era de beber conscientemente, em situações especiais, ou no caso de uma bebida que me despertasse curiosidade pelo sabor, mas sempre em doses moderadas. Isso manteve-me abstinente por cerca de seis meses, quando decidi então criar uma meta, de completar este ano. Chegando agora ao fim desta meta, retomo a proposta inicial, sem saber até quando a abstinência durará, mas feliz com os resultados e pela carga de experiência que este não agir automaticamente me proporcionou.

Renan M. Franklin
Psicólogo e Psicoterapeuta em Curitiba

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Cinco dicas do Mindfulness para o recondicionamento de vias neuronais da felicidade

O cérebro humano, adaptativamente, desenvolveu uma tendência para reagir à estímulos, como barulhos e sombras, como algo ameaçador. É preferível se assustar com um coelho, do que não dar bola para os passos de um tigre. Esta tendência ainda influencia nosso funcionamento cerebral nos dias de hoje, e por isso, é mais fácil nos estressarmos, ou seja, produzirmos hormônios que nos preparem para lutar ou fujir, do que conseguirmos relaxar. As técnicas do Mindfulness propõe exercícios de reativação das vias neuronais do bem-estar, dando descanso para as estressoras. Este texto traz cinco dicas do Mindfulness para promover o bem-estar e a felicidade.

Relacionar-nos com compaixão é a primeira dica, e deve ser aplicada nas relações de namoro, de amizade, e especialmente na relação com nós mesmos.

Saborear é o segundo passo. Isso significa que os momentos presentes devem ser sentidos, com todos os sentidos, e com toda a intensidade intrínseca, que muitas vezes passa desapercebida. A busca incessante por grandes objetivos, esconde os prazeres cotidianos em tudo aquilo que experienciamos. Torne atitudes, como comer, tomar um café, encontrar amigos, em experiências (isso pode até mesmo ajudar na memória).

A gratidão é a terceira dica. É uma prática que deve ser constante, e para acostumarmos a praticá-la, podemos criar listas diárias ou semanais de coisas que aconteceram e que podemos agradecer. Mas também há um efeito de alívio imediato no corpo, quando paramos para pensar o que, neste exato momento, você pode ser grato. Que tal refletir agora mesmo?
Da mesma forma que é possível trazer a gratidão ao corpo, o contrário também é possível. Que tipo de sensação boa você está sentindo agora, ou que tipo de incômodo crônico não está lhe incomodando? Que tal focar, por ao menos 10 segundos, nessa sensação boa? Isso irá ajudar-lhe na sua listagem diária ou semanal.

Auto-apreciação. Esta é a quarta dica. Refere-se a apreciar qualidades em nós mesmos, ou coisas que fizemos bem. É basicamente "saborear" quem somos e termos "gratidão" pelas nossas qualidades.

Gentileza. É a capacidade de fazer o bem e trazer felicidade, aos outros e a si mesmo. É comum que ao estarmos frente à uma coisa que não gostamos, nosso cérebro ative automaticamente "vias negativas", ou seja, partes do cérebro que geram o sentimento de raiva. Isso faz com que gostemos cada vez menos deste estímulo.
Meditações que focam em coisas boas, podem aumentar os níveis de oxiticina em nossos cérebros, evitando assim a ativação automática da raiva, havendo espaço assim para aceitarmos aquilo que não gostamos no outro ou em nós, e promovermos gentileza genuína.

(Texto resumido por mim, com base no texto Rewiring the brain for happiness, disponibilizado no curso Mindfulness for wellbeing and peak performance, da Monash University)


Renan M. Franklin
Psicólogo e Psicoterapeuta em Curitiba

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Os Jogos Oraculares e a Sincronicidade


Amanhã, a Archés estará realizando um Café com o tema Jogos Oraculares e a Sincronicidade. A proposta é de discutir sob o ponto de vista psicológico, como a experiência lúdica dos jogos de tabuleiros, podem servir em uma dimensão oracular, ou seja, como instrumento possível de ocorrência de sincronicidades e como técnicas projetivas. O enfoque teórico será dado sob a luz da Psicologia Analítica.
O evento será dividido em duas partes, a primeira focada no tema da Sincronicidade, sob coordenação de Katia Voigt (CRP 08/5715), e a segunda focada no Tabuleiro como oráculo, sob coordenação de Renan Marques Franklin (CRP 08/20070).

Espero que gostem do evento. Até lá!
Inscrições no local
Valor: R$20

Email: arches@arches.psc.br
Telefone: 3252 2421
Rua David Carneiro, 431, São Francisco, Curitiba.



Renan M. Franklin

Psicólogo e Psicoterapeuta em Curitiba

terça-feira, 26 de setembro de 2017

Um breve resumo sobre a história da felicidade

   A origem da palavra felicidade, em diversas línguas, indica ser algo que foge do controle humano. Happiness, vem de happened, ou seja, aquilo que lhe acontece. A felicidade deriva da vontade dos deuses e das estrelas.

   A antiga cultura greco-romana coloca na mão do homem a possibilidade de felicidade. Mas este conceito não está ligado aos sentimentos, mas está ligado ao comportamento moral, geralmente demandando muito trabalho, disciplina e devoção.

   Na antiga concepção cristã, a verdadeira felicidade não está acessível no nosso mundo atual. Ela esteve disponível no Jardim do Eden, e estará disponível com o retorno de Cristo. Entre estes dois períodos, a única forma de acessar a felicidade é através da união com Deus, ou seja, a morte.

   Entre os anos de 1700 e 1800, a felicidade é tomada como uma verdade auto-revelada e um direito. O prazer é tido como um objetivo à ser trabalhado, enquanto o desprazer deveria ser minimizado. A felicidade é aqui assimilada à ideia de sentir-se bem.

   Apesar de dar ao homem a possibilidade de buscar o prazer, este movimento libertário do século 17 causou a impressão de que, se a felicidade é um direito, ela está fora do homem, e deve ser conquistada, buscada e consumida. A associação da felicidade com o prazer dá a impressão de que se não existe prazer constante e intenso, não há felicidade.

   Atualmente, o conceito de felicidade tem sido expandido. Tem-se encontrado relações entre a felicidade e esperança, gratidão, altruísmo, cultivo espiritual, e bem-estar. Isso coloca a felicidade de novo dentro do próprio humano, e assim, como um estado natural deste.

   Preocupar-se com sua própria felicidade, de forma individualista, torna-te menos feliz do que se preocupar com a felicidade daqueles ao seu redor.

(Texto resumido por mim, com base no texto "Happiness, The Hard Way", do curso "Introduction to the Science of Happiness" promovido pela University of California, Berkeley).


Renan M. Franklin

Psicólogo e Psicoterapeuta em Curitiba

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

ANVISA reconhece Cannabis (maconha) como medicinal

A Resolução 156 do dia 5 de Maio de 2017, que pode ser acessada clicando aqui, publicada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) reconhece a Cannabis Sativa, uma das espécies de maconha, como planta medicinal.

(Imagem ilustrativa, de uma planta de maconha, retirada do site md.saúde)

Este artigo não possui por intuito questionar se isto está correto ou errado, mas levantar o debate do motivo da escolha desta espécie. Há três tipos de espécies:
"Existem três espécies de maconha, a mais comum é a Cannabis sativa, considerada a mais cultivada em todo o mundo, sendo também a mais sedativa; a Cannabis ruderalis, caracterizada como um arbusto curto que não possui ingredientes psicoativos e a Cannabis índica que apresenta um baixo teor de substância psicoativa. Acredita-se que as variedades modernas de Cannabis cultivadas para uso recreativo contêm dez vezes a concentração de tetrahidrocanabinóides (THC) comparadas às variedades selvagens" (PETRY, 2015).

Ao liberar uma planta, deve-se compreender a variedade de substâncias que ela possui, e seus efeitos no organismo.
"Tais plantas são conhecidas por produzir componentes químicos chamados de canabinoides, os quais produzem efeitos físicos e psicológicos quando consumidos por humanos. Existem mais de 85 tipos de canabinoides, que induzem diferentes efeitos quando consumidos, porém os mais mencionados são o Canabidiol (CBD) e o Delta9-TetraHidroCanabinol (THC)." (ROSA, 2016).

Enquanto a subespécie C. sativa possui mais THC e menos CBD, a subespécie C. indica possui menos THC e mais CBD (ROSA, 2016, p.16). E isso influencia nos efeitos do uso:
"Dentro dos modelos científicos de análise, o CBD está majoritariamente associado a efeitos sedativos, principalmente em relação a espasmos musculares, contudo inúmeras pesquisas, apesar de não terem atingido comprovação científica, apontam que o CBD também possa ser efetivo como antipsicótico e contra perda de memória no Mal de Alzheimer. O THC, por outro lado, é o principal princípio ativo psicotrópico da cannabis, e seus efeitos são ainda mais complexos de se compreender, uma vez que alteram também o estado de consciência de quem os ingere. Nos modelos biomédicos, já é comprovado que o THC é efetivo no tratamento de doenças como asma e glaucoma e também em relação à redução de náusea, vômitos e ao tratamento da perda de apetite, por seu efeito popularmente chamado de “larica”, significando fome" (ROSA, 2016, p.17).

O principal empecilho da liberação da maconha ocorre por conta de seu efeito psicoativo, causado pelo THC. Esse efeito é um atrativo para quem busca uma droga recreativa, mas também aumenta significativamente o risco de desencadear psicoses. Se a maconha possui efeitos medicinais já comprovados na espécie C. Indica, e um risco muito maior para danos psicológicos significativos na C. Sativa, quais os critérios utilizados para a escolha de qual das espécies liberar?

Embora a legislação com relação ao uso, cultivo e porte de maconha não mude por conta desta resolução, me preocupa a possibilidade de nos encaminharmos para uma liberação, onde o uso recreativo existe de forma mascarada como medicinal. Não entro no mérito neste texto de me colocar como favorável ou não ao uso recreativo, pois isso demanda outra discussão muito mais complexa. Mas, caso haja um movimento em prol de um uso recreativo, que o mesmo ocorra caracterizado como tal, pois implica situações e condições diferentes de um uso com fins de saúde. Caso o reconhecimento seja de fato para fins medicinais, que seja acompanhado das outras espécies da maconha.

Considerando ainda que, quando substâncias entram em atividade juntas, possuem efeito diferente do que a soma de seus efeitos isolados, há possibilidades medicinais mais eficazes do que pela liberação da C. sativa de forma isolada.
"Plantas indica, por estarem mais relacionadas com tratamento de espasmos musculares e tremores, são preferíveis para tratar doenças como esclerose múltipla, parkinson, dor crônica, artrite, reumatismo, insônia e ansiedade, enquanto plantas do gênero sativa são indicadas para tratar efeitos colaterais de tratamentos como quimioterapia ou de remédios para HIV/Aids, como também casos de perda de apetite e depressão. Devido a recentes testes de cruzamento feitos com variedades de plantas do gênero ruderalis (Cannabis ruderalis), existem agora variações genéticas que podem produzir mais CBD do que THC, com proporções de até 6% de THC e 7,5% de CBD, permitindo efeitos de maior relaxamento muscular e menor atividade psicoativa.
Hoje, a maior parte das variedades genéticas indicadas para uso medicinal são resultado de cruzamentos entre sativas e indicas, que resultam em combinações de efeitos mais complexos – ao adicionar genes de plantas sativa em plantas indica, obtêm-se efeitos de maior clareza de pensamento e menores efeitos sedativos; ao adicionar genes de plantas indica em plantas sativa reduzem-se efeitos de ansiedade que as últimas normalmente causam." (ROSA, 2016, p.35-36).

Por fim, considerando que esta resolução não traz alterações quanto à legislação vigente sobre a maconha, considero que o reconhecimento da ANVISA é positivo, pois facilita para que, futuramente, possamos desenvolver tratamentos e medicamentos com base em substâncias provindas maconha, sem os efeitos negativos do uso convencional.


Renan M. Franklin
Psicólogo e Psicoterapeuta em Curitiba