sexta-feira, 2 de julho de 2021

Ansiedade & Psicologia Analítica




Hoje vou contar um pouco sobre um panorama geral da minha dissertação de mestrado, em uma live às 19:30 no Instagram.

Serei entrevistado pela @katia_voigt em um breve bate-papo no perfil da @archespsicologia com o tema Ansiedade na Psicologia Analítica.

Afinal, o que é ansiedade para a Psicologia Analítica? Qual sua história? Quais as diferenças entre as escolas junguianas na sua compreensão? De onde vem e para onde vai? O que envolve?

Estão todos convidados 😁 

sexta-feira, 4 de junho de 2021

Lógica Submersa

 



Alice aprendia sobre os ensinamentos do mestre Tartarruga aos habitantes marinhos:

"Lentura e Estrita, é claro, para começar", respondeu a Tartaruga Falsa; "e depois os diferentes ramos da Aritimética: Ambição, Subversão, Desembelezação e Distração."
[...]
"Bem, tinhamos Histeria", respondeu a Tartaruga Falsa, contando as matérias nas patas, "Histeria antiga e moderna, com Marografia; depois Desdém..


A analogia com matérias que substituíram Leitura, Escrita, Adição, Subtração, Multiplicação, Divisão, História, Geografia e Desenho, vem da necessidade de uma lógica própria de um mundo paralelo, subterrâneo e marítimo. Isso se assemelha com a comparação que a psicologia arquetípica traça no "Sonho e o Mundo das Trevas" com relação ao mundo inconsciente. Não é possível entender sua lógica apenas trazendo seus elementos para uma leitura consciente, se não foi formulada a partir de pressupostos conscientes. Para entendê-lo, devemos respeitar sua autonomia e nos aproximarmos de seu funcionamento.

No conto, as matérias aprendidas parecem estranhas em um primeiro momento, pois enaltecem valores geralmente desvalorizados. Mas a psicoterapia é um espaço de reconhecimento de todas as manifestações psíquicas como de igual valor à psique. De subversão, a criação de um espaço imerso abaixo do verso, entrelinhas, da lógica consciente. De lentificação do ritmo desenfreado para percebermos, sentirmos, nos orientarmos sobre para onde e de que forma estamos guiando nossa vida. De histerias enquanto manifestações da anima que habita o útero psíquico. De desembelezar e tirar toda a maquiagem que oculta toda nossa pele psíquica em uma tentativa de esconder fissuras, falhas e rugas. De "patologizar", reconhecer o hiato frente ao ideal consciente e coletivo, sendo manifestação autônoma da nossa individualidade. De criação de imagens psíquicas.

quarta-feira, 12 de maio de 2021

Aula sobre Imagem e Imaginação (ativa, dirigida, espontânea, alquímica e onírica) na Faculdade Pequeno Príncipe

 Na quarta-feira, dia 05/05, fiz uma aula para os alunos do 8°período de psicologia da Faculdade Pequeno Príncipe a convite da professora Aline Mamede. A fala foi sobre Imagem, Imaginação, e os processos de Imaginação Ativa, Dirigida, Espontânea, Alquímica e Onírica.



terça-feira, 4 de maio de 2021

Lembranças da Liga Acadêmica de Psiquiatria de Curitiba (2012)

Hoje as fotos são de 2012.

Participei da diretoria da @lapsipr em 2011 e 2012, onde cheguei a ocupar o cargo de vice-presidente, desta que é a maior liga acadêmica de psiquiatra do país. Saudade de ver o salão do Hospital Nossa Senhora da Luz cheio!





Tive aprendizados técnicos e clínicos com excelentes profissionais e colegas, ganhei amizades que carrego até hoje,  tive aprendizados de organização de eventos acadêmicos e institucionais que me proporcionaram diversas experiências posteriores, viajamos, nos divertimos, e trabalhamos muito... Agradeço todos meus colegas por essa oportunidade! 

quarta-feira, 21 de abril de 2021

Caminhos



 Alice disse ao Gato:

"Poderia me dizer, por favor, que caminho devo tomar para ir embora daqui?"
"Depende bastante de para onde quer ir", respondeu o Gato.
"Não me importa muito para onde", disse Alice.
"Então não importa que caminho tome", disse o Gato.
"Contanto que eu chegue a algum lugar", Alice acrescentou à guisa de explicação.
"Oh, isso você certamente vai conseguir", afirmou o Gato, "desde que ande o bastante."


Essa é uma narrativa comum na clínica e fora dela. As pessoas buscam saber qual caminho seguir, querem direções dadas, sem se responsabilizar pela escolha do caminho, nem acreditam na própria capacidade de escolher.
Quando não direcionamos nossa vida, ela nos direciona. Em algum lugar, chegaremos. Psicologizar também é tornar-se responsável pela parte de nossas próprias vidas da qual temos responsabilidade.
É inevitável não garantirmos o ponto de chegada, mas sem um objetivo, não há nem ponto, nem chegada.
E vale o trajeto sem objetivo?
No processo terapêutico, não há um estágio final e total, o objetivo é o próprio percorrer do caminho. A vida não tem sentido se não houver o viver.

segunda-feira, 12 de abril de 2021

Aniversário de James Hillman, pai da Psicologia Arquetípica



Na data de hoje, seria mais um aniversário de James Hillman. Tirou a psicologia do mito médico, valorizando o lado imaginal da teoria junguiana, contrapondo às leituras newage e desenvolvimentistas da obra de Jung.

Suas obras foram a minha principal base de formação profissional após a graduação, fazendo eu re-ver toda meu entendimento da psique, da psicologia e da prática clínica.
A Psicologia Arquetípica, teoria que fundou, teve como obra inicial o livro "Re-vendo a psicologia".

quarta-feira, 7 de abril de 2021

Moral da história



Como venho lendo a história de Alice de Lewis Carroll, que por sinal gosto muito, vou fazer uma sequência de alguns trechos que podem ser pensados no contexto clínico.

"Você está pensando em alguma coisa, minha cara, e isso a faz esquecer de falar. Neste instante não posso lhe dizer qual é a moral disso, mas vou me lembrar daqui a pouquinho."
"Talvez não tenha nenhuma", Alice atreveu-se a observar.
"Ora, vamos, criança!" disse a Duquesa. "Tudo tem uma moral, é questão de saber encontrá-la." [...] é o amor que faz o mundo girar'."
"Alguém disse", Alice murmurou, "que ele gira quando cada um trata do que é da sua conta."
[...] "e a moral disto é... 'Cuide do sentido, que os sons cuidarão de si'."
"Como gosta de achar moral nas coisas!" Alice pensou consigo mesma.

A fala constante, que não cessa nem para a reflexão, é cheia de moralismos. A "moral da história", aquilo que algo significa e nos ensina, é sempre uma leitura a partir de um ponto de vista moral, nos indica um ensinamento do que é certo ou errado a partir daquilo que estamos valorizando ou desvalorizando.

O sentido das coisas, dos pensamentos, dos sonhos, quando trazidos à clínica psicológica, vem muitas vezes com a expectativa da busca por um significado que traduza o fato psíquico à outro algo qualquer, como se sempre houvesse um significado de maior valor oculto atrás do fato em si.

E de fato, podemos fazer diversas leituras que tragam sentido X ou Y, mas são sempre perspectivas parciais a partir do leitor ou analista em questão. Esse significado não é mais real que o fato em si, mas desde que não tente reduzir o fenômeno, cria uma nova forma de nos relacionarmos com a imagem, e por isso, não substitui a imagem original, apenas a valoriza.

O respeito ao silêncio por parte do terapeuta é um respeito pela possibilidade de reflexão, bem como pela profundidade da psique, que vai além de qualquer literalismo interpretativo. Suportar o silêncio é deixar que a imagem psíquica fale por si, se explicando ou existindo enquanto experiência, sem qualquer teorização que force a caber no limitado conhecimento do analista.